Segunda-feira, Janeiro 29, 2007

Tentativa de fazer algo sério nº1

A convite da Paula, no Café Moído:

• O que é para ti um mau filme?
Um mau filme não é para mim necessariamente um filme mau. Sim, isto parece extremamente inconsistente mas eu distingo ambas as expressões de uma maneira algo simplista. Um filme mau é um filme sem qualidade, com actores maus, com argumento mau, com uma realização má. Isso não faz dele um mau filme para ver, tal como este blog tenta mostrar.
Existem inúmeros filmes maus que me marcaram como o “Plan 9 from outer space” ou o “The attack of the killer tomatoes” e lembro-me bem das reacções quando, em casa, com o Fábio, o Guilherme e mais alguns amigos o acabamos de ver e que nos levaram a criar esta brincadeira que é o “Filmes de Culto”. Um filme mau pode ser um grande entretenimento, pode significar hora e meia de riso sincero, de incredulidade perante o que estamos a ver. Um filme mau pode ser um grande filme. Um mau filme não. Um mau filme é simplesmente um filme que não se consegue ver até ao fim. Muitos dos filmes maus que arranjamos para escrever neste blog acabam por se mostrar simplesmente maus filmes e ficam encostados na prateleira.
Ainda há coisa de duas semanas arranjei o “Terror Chupacabra” na esperança que se tornasse um filme mau sobre o qual me desse gosto escrever aqui mas acabei por penar para o conseguir acabar de ver. A última meia hora é hilariante, com efeitos especiais que não lembram ao diabo, com actuações dignas do mais reles filme porno, mas a primeira hora de filme é mediana demais… não consegue fazer rir, não consegue ser suficientemente má para que mereça que se escreva sobre ela. É simplesmente um mau filme.
O melhor exemplo para um mau filme que consigo arranjar é a típica comédia de clichés foleiros e batidos (teen movies anyone?) que não consegue arrancar um único riso durante 90 minutos.

Se isto que acabei de escrever não vos fizer o menor sentido, não faz mal, o Filmes de Culto também não nasceu para isso.


• Remakes ou sequelas: Havendo apenas estas duas escolhas sem opção de recusa, qual assistirias?
A um remake. Uma sequela pode ser melhor que o antecessor, mas são raros os casos. Há excepções notáveis como na saga d’O Padrinho (considero o segundo filme o melhor da trilogia), mas regra geral à segunda ainda se come, à terceira é fazer render um peixe pouco fresco com cheiro duvidoso.
Exemplo prático: Saw III, uma sequela que conseguiu tornar um filme médio num mau filme. Não consegui ver mais do que meia hora. Aquilo simplesmente “engonha”.



• Que tipo de filme português gostarias de ir ver ao cinema?
Posso antes responder a “Que filme português gostei de ir ver ao cinema?”. É que torna isto muito mais simples.
“Vai e Vem” de João César Monteiro.
Na altura em que o fui ver ao Nun’Alvares no Porto com amigos do curso tinha aquela noção de que João César Monteiro era o expoente máximo daquele cinema europeu pseudo-intelectual (as histórias por detrás do “Branca de Neve” ajudavam) e fui com a expectativa de nem conseguir acabar de ver o filme até ao fim.
Abandonei a sala com a sensação que tinha acabado de ver algo que o cinema convencional seria incapaz de transpor para a tela. Todos os planos, todos os diálogos, todos os cenários, tudo era simplesmente sincronizado à perfeição pelo mestre. E digo “mestre” porque depois de ver aquela obra passei a perceber a alcunha pela qual J.C.M. se tornou popular.
Entretanto já revi o filme na :2, mas não sei se por ser a segunda vez que o vi ou por ser simplesmente na TV não consegui sentir-me totalmente vidrado no ecrã como quando o vi naquela pequena sala da rua Guerra Junqueiro.
Também já vi outros grandes filmes dele, como o Recordações da Casa Amarela, ou o Bodas de Deus, e embora tenha gostado não fiquei com a mesmo gosto do “Vai e Vem”.



• Que cliché cinematográfico já não tens pachorra para ver novamente?
Não sendo bem um cliché: O argumento do bom samaritano que já pertenceu aos marines e que de um momento para o outro vê a sua família raptada/morta e tem de ir para o meio da selva combater os mauzões latinos de faca numa mão e caçadeira na outra para vingar a memória da mulher e das filhas.
Como cliché puro e duro: o beijo final entre o herói e a tipa que conheceu durante a cena inicial de pancadaria do filme.


• Qual o teu fan video preferido?
Não sei se se enquadra bem na categoria “fan vídeo”, mas… a homenagem dos Pixies ao surrealismo de Buñuel e Salvador Dali em 1929, com o vídeo da “Debaser”.
I am un chien andalou”.



• A quem desafias este questionário?
Antes de mais queria ver o Fábio e o Guilherme a também fazer isto.
Depois gostava de ver o Marco Santos e o Pedro Marques do Bitaites a aderir a este questionário corrente (e eu bem sei que no Bitaites abominam isto, mas também eu e no entanto aderi porque achei um bom tema). Também queria ver o Hugo do 9-9 a alinhar.

Um mundo Catita

Já lá vai um mês desde que fizemos nova pausa, e um mês também desde que recebemos um e-mail acerca de um novo projecto nacional que temos imenso gosto em publicitar.
O melhor mesmo é deixar aqui o texto que nos foi enviado pela Sara Ferreira, a quem agradecemos a oportunidade de nos deixar ajudar a divulgar este projecto pelo qual esperamos que chegue a bom porto.
É com enorme prazer que lhe comunicamos que a equipa responsável pelo mais premiado filme de terror nacional - "I´LL SEE YOU IN MY DREAMS", está de volta com um novo projecto.

Este ano, num investimento significativo em equipamento digital voltamos a apostar nas novas tecnologias. Nesse sentido, criámos de raiz um projecto televisivo que alia a beleza da película 16mm à eficácia do digital de alta definição de última geração.

Inspirada em séries como THE OFFICE ou CURB YOUR ENTUSIASM, temos o prazer de apresentar UM MUNDO CATITA.

Esta série será uma ficção sobre a vida e obra de Manuel João Vieira, famoso actor, pintor e candidato à presidência, vocalista de grupos como Enapá 2000 ou Irmãos Catita. Composta por seis episódios de 30 minutos cada, a série será filmada em suporte de alta definição (HD) e película (16mm), num investimento significativo na qualidade de imagem.

Para além da participação do próprio Manuel João Vieira e de alguns dos membros dos grupos já mencionados, contará também com a presença de actores como João Didelet.

A realização estará a cargo de Filipe Melo e João Leitão numa co-produção entre O PATO PROFISSIONAL PRODUÇÕES AUDIVISUAIS LDA e a INDIVÍDEOS.
A direcção de fotografia está a cargo de Daniel Neves e Tony Costa (AIP).

O projecto será, à semelhança do anterior filme de "zombies", uma produção completamente independente representando uma vez mais um forte investimento a nível tecnológico e estético.

O lançamento está previsto para o Verão de 2007, com ante-estreia pública no início do próximo ano.

Fevereiro 2007 Dezembro 2006 Página inicial