Highlander: the Source - Ataque das sequelas horríficas

Nota: este filme ainda nem sequer foi lançado, foi-nos permitido visioná-lo por obra do acaso. Peço aos meus leitores que tenham paciência com a crítica demasiado alargada mas senti que devia escrever este artigo recorrendo a um enquadramento histórico do filme...
Circa 1986 um senhor, que dá pelo nome de Gregory Widen, teve uma ideia para escrever uma história como nenhuma até aí tinha sido feita. Resta dizer que este senhor esteve por trás do o argumento do primeiro filme da saga Highlander e da saga Prophecy. Infelizmente como parece ser cada vez mais o caso em Hollywood, não se pode fazer só um filme, há que fazer sequelas. E é aqui que o problema reside. Porque por muito bons que sejam os filmes originais, salvo raras excepções, os filmes subsequentes acabam por estragar os originais porque danificam as personagens, as histórias e, mais vezes do que o desejado, acabam por expor problemas nos argumentos dos filmes originais.
O primeiro filme da saga Highlander começa por nos apresentar uma premissa no mínimo intrigante: existem seres imortais entre nós, pessoas extraordinárias que aparentemente não envelhecem, e não podem morrer a não ser se lhes cortarem a cabeça. São compelidos a lutar pela eterna promessa de receberem "o prémio", algo que nenhum deles sabe bem o que é. Cada vez que um deles mata outro imortal absorve o seu poder, o seu conhecimento, a sua "alma". O filme segue o combate entre os últimos imortais. Uma parte importante do filme passa-se nos flashbacks que nos mostram o rico passado da personagem principal Connor Macleod e nos ensinam o básico dos Imortais. De qualquer das maneiras no final o nosso principal é aparentemente o único sobrevivente, torna-se mortal para viver com o seu novo grande amor e possuí todo o conhecimento do mundo. Devido à qualidade dos actores e também da banda sonora a cargo dos Queen, o primeiro dos Highlanders tornou-se num filme de culto.
5 anos depois surgiu a primeira sequela. A premissa desta vez era: esqueçam tudo o que vos dissemos no primeiro filme, afinal os imortais eram exilados políticos extraterrestres. Este filme passa-se num futuro quase apocalíptico. Portanto a nossa personagem principal, Connor Macleod, rejuvenesce quando assassinos do seu planeta natal chegam para os matar. Como os seus corpos detectam a imortalidade dos assassinos, por um passe de mágica: "voilá", a personagem principal está de novo rejuvenescida e é outra vez imortal. E o seu mentor também ressuscita miraculosamente. Neste filme os flashbacks são quase exlusivamente da vida no planeta natal deles. Confusos? Pois, também os fãs até que chegamos a 1994.
Aparentemente em 1994 os imortais são imortais, mas existem feiticeiros e magia. Um feiticeiro malvado que para além de saber magia é imortal quer matar a nossa personagem principal porque ele sabe um segredo qualquer. Sim, é como estão a pensar, agora os imortais já não são extraterrestres. Já vos disse que a personagem principal é a mesma e a história é mais contemporânea?
Já me esquecia de dizer em 1992 começou uma série de sucesso que seguia as aventuras de um outro membro do clã Macleod, Duncan, que Connor ajudou a treinar. Mais ou menos na mesma altura que de acordo com o primeiro filme ele próprio ainda estava a ser treinado. A serie não alterava em quase nada a ideia do primeiro filme e até era minimamente decente.
Sim, já sei o que estão a pensar, o terceiro filme pode ter acontecido antes do primeiro. Mas não me parece porque há algumas referências a acontecimentos do primeiro filme.
Mas como se já não fosse confuso o suficiente em 2000 tivemos direito ao primeiro filme em que Duncan e Connor aparecem ao mesmo tempo. Desta vez o problema é um imortal que se tornou demasiado poderoso para qualquer um deles o poder derrotar sozinho por isso um deles tem que se sacrificar para que o outro fique com o poder de ambos e assim dar cabo do mauzão.
Mas esperem porque ainda não cheguei à parte boa, isto passa-se claramente depois do primeiro filme e antes do segundo mas sendo assim como é que o primeiro aconteceu porque claramente Connor não era o único que restava? E como é que o segundo aconteceu se o connor morre neste quarto filme que se passa antes do segundo? Eu também não percebi.
E eis que chegamos ao filme The source, o 5º filme desta saga. Mais uma vez alguém reescreve a história. Passa-se num futuro não muito distante, os planetas alteram a sua órbita para se alinharem e provocarem um fenómeno em que supostamente a origem dos imortais desce à terra. Sim, eu também fiquei confuso. Entram muitas personagens da serie mas o argumento é mesmo muito mau.
Dogmas da saga quebrados neste filme
1 - Os imortais só podem ser mortos se lhe cortarem a cabeça
2 - Não se pode lutar em solo sagrado (qualquer tipo de solo sagrado na serie deram muita enfase ao que aconteceria se tal luta se desse, alias segundo a serie o único caso disto ter acontecido tinha sido em Pompeia minutos antes do vulcão explodir)
3 - Flashbacks interessantes acerca da vida das personagens devem ser mostrados
4 - A música deve ser dos Queen
Juntem a isto um ser sobrenatural muito mais rápido que um ser humano e o facto de os Imortais se tornarem mortais a meio do filme sem ser dada explicação nenhuma...
Conclusão:
Se isto é o primeiro filme de uma triologia que explicaria a origem dos Imortais agradecia à New Line que não fizesse os outros dois filmes porque não quero ver a história ainda mais estralhaçada do que já está. Eu até sou um fã moderado do primeiro filme e da serie de televisão mas este filme não é só mau. Este filme é um atentado à ideia original de Gregory Widen. Não vejam este filme se não forem fãs da mitologia da serie e mesmo assim vejam-no só se quiserem deprimir...
Ficha Técnica:
Título: "Highlander: The Source"
Ano: 2007
Realizado por: Brett Leonard
Duração: Cerca de 90 minutos
IMDB
Ó shôr blogger, é só para testar isto dos comentários para ver se não dão o berro como davam os do Haloscan.
Agradecido.
Paulo Costa disse...
11:52 PM