E se, de repente, os pólos magnéticos da terra se invertessem?
Foi isso que
Sara Watson pensou para produzir uma das obras-primas de 2005...
Absolute Zero.
E que concluiu ela perante tamanho pensamento?
Simples: Tudo o que geograficamente fique 30º acima e abaixo do equador ficaria subitamente a zero graus Kelvin... zero absoluto.
Genial, creio que nem
Jim Wynorski, o deus dos filmes de série B e abaixo, se lembraria de tal façanha.
Façamos uma analogia algo rude: se ligarmos uma pilha (daquelas de volt e meio) ao contrário, estamos sujeitos a que o discman congele. Ok, ok, eu sei que a Sara Watson estava a falar de pólos magnéticos e não eléctricos, mas porra... também tenho direito a ter ideias geniais ou não?
Mas vamos ao filme:
Jeff Fahey é uma cara conhecida e já leva 96 filmes na sua longa carreira, sendo que apenas 4 deles possuem um rating acima de 6 no IMDB. Creio que dispensa mais apresentações.
Erika Eleniak é uma ex-coelhinha da playboy, e como todas as ex-coelhinhas da Playboy, talento aos pares não lhe falta. A sua cara talvez não seja muito conhecida, mas outros atributos saltam facilmente à memória da sua participação nesse supra-sumo da tv de qualidade que deu pelo nome de Baywatch.

O resto dos actores não interessa para nada, mas a
Brittney Irvin com aquela carinha laroca chamou-me a atenção e já vi que tem dois filmes que merecem um visionamento mais atento, mais não seja pelos títulos que deixam antever uma qualidade inegável:
Quarantine e
Panic in the Skies!
O argumento já está meio desmontado nas linhas anteriores, mas há coisas que não se podem deixar de referir, tal como a forma encontrada para o meteorologista, a boa e a filha e ainda a tal
Brittney (A.J. no filme) encontram para se salvar da frente fria que caminha tal qual um fantasma atrás das vítimas que pretende assombrar: trancar-se num laboratório.
Sim, porque todos nós sabemos que se de repente aparecesse uma frente fria daquelas que os meteorologistas se fartam de falar e na qual as temperaturas atinjam os 0 Kelvin, a solução seria simples: fecharmo-nos num quarto e calafetar portas e janelas.
M

as voltemos aos momentos iniciais do filme.
Começamos por nos encontrar em plena Antártida onde um grupo de cientistas leva a cabo uma expedição para determinar as causas do aparecimento de uma gruta. Até aqui nada de anormal. Grutas no pólo sul e gajos em camisa de manga curta a festejar o aquecimento global (não, não estou a inventar).
Mas, de repente, uma tempestade de neve de esferovite abate-se sobre todos e morte atrás de morte, sobra o nosso herói. Confesso que nunca tinha visto um tornado na Antártida, mas se os argumentistas dizem que há, quem sou eu para contrariar.

A imagem corta e encontramos o nosso herói já em Miami a analisar os dados da tempestade. Como raio o homem se salvou da tempestade não sei, mas isso não interessa para nada.
Depois a história do costume. Um mau da fita, que neste caso é o patrão da empresa onde trabalha o meteorologista e que faz tudo para evitar que este convença as pessoas importantes que financiam a sua empresa de que o frio está a caminho.
Há ainda a realçar o encontro do herói com o amigo de longa data que o vai ajudar a interpretar os dados e com a mulher deste que é, por acaso, sua ex-namorada que abandonou há dez anos.
Depois vem um dos momentos altos do filme. A reunião entre senadores americanos e o patrão da empresa para financiar um projecto capaz de parar as consequências de uma nova época glaciar que deve ocorrer dali a 300 anos.
Sim, porque este último parágrafo não está sem sentido. Eu escrevi mesmo isto porque é o argumento do filme.
Eis que entra de rompante o nosso meteorologista e, interrompendo a conversa entre os presentes, nos brinda com um momento de grande categoria. Um Óscar é o mínimo que se lhe pode atribuir. E como as imagens valem por mil palavras, tomei a liberdade de vos preparar uma animação com imagens do filme e um pequeno extra que me pareceu adequado.

A verdade é que a conversa convenceu mesmo o senador que manda evacuar Miami enquanto se começam a sentir os primeiros efeitos de uma época glaciar que se abate em questão de minutos sobre a cidade. Icebergues na costa, mais neve de esferovite, gajas boas em bikini a sentir arrepios, etc etc.
Depois vem a batalha final contra a vaga de frio: fugir para se trancarem num laboratório. E fugir como? Correndo o mais que conseguirem.

Segundo Sara Watson (nunca é demais referir o nome por causa de tamanho brilharete na escrita deste argumento) o frio vem de uma direcção e congela tudo nessa mesma direcção. Por isso basta correr em sentido contrário.
Pelo meio há a morte do amigo do meteorologista numa cena com efeitos especiais de cortar a respiração, morte essa que parece ter agradado ao nosso herói e á sua (agora) viúva, porque nem 3 minutos de filme depois já se notava um certo clima de "há dez anos abandonei-te, mas agora era gajo de te aquecer"... afinal o frio aperta a todos.
E pronto, cenas finais, os nossos sobreviventes trancados no laboratório enquanto o exterior congela, à espera de receber um telefonema de alguém mais que tivesse sobrevivido. Chega um helicóptero (sim, porque quando a noite passa, os 0 kelvin também passam) e imagem final de arrepiar:
O globo, congelado no equador.
O melhor:- A carinha laroca da Brittney Irvin.
- A neve de esferovite.
- Os tornados que nascem do nada derivados da mudança de pólos magnéticos terrestres.
- O par de talentos da Erika Eleniak.
O pior:- A falta de respeito do nosso herói para com o seu amigo de longa data, que após a morte deste demora 3 minutos de filme para lhe tentar galar a viúva.
Ficha Técnica:- Título: "Absolut Zero"
- Ano: 2005
- Realizado por: Robert Lee
- Duração: 86 minutos