Segunda-feira, Maio 29, 2006

H.G. Well’s: war of the worlds


Falar de C. Thomas Howell é sinónimo de falar em série B, ou como os últimos anos têm provado, falar de série Z. C. Thomas Howell começou por ser uma promessa do cinema ao protagonizar filmes como "Os marginais" (The outsiders) de Francis Ford Coppola, mas desde então a sua carreira foi caindo a pique, sendo hoje um rei de filmes maus de Hollywood, onde este H.G. Wells: war of the worlds se encaixa na perfeição.

Lançado em 2005 mo mesmo ano do badalado Guerra dos Mundos de Steven Spielberg, este filme acabou por passar um pouco ao lado muito por culpa do filme protagonizado por Tom Cruise. Apesar de ser baseado na mesma obra e de o cerne da história ser praticamente o mesmo, este filme segue outro caminho que o filme de Spielberg não seguia. Enquanto Guerra dos Mundos se centrava mais na acção para mostrar o caminho que um pai percorre para salvar os seus filhos, este filme mostra uma vertente mais filosófica de um pai à procura da sua familia, mostrando o caminho que ele percorre e todas as questões filosóficas e religiosas que se deparam. Mas será que o resultado é bom? NÃO. O filme acaba por não ter sentido nenhum e por ser uma das maiores secas que já apanhei em frente ao ecrã.

O filme conta a história de George Herbert (C. Thomas Howell) um astrónomo que vai com a família a Washington para comemorar o 10º aniversário de casamento. Mas a queda se um suposto meteorito vai mudar os seus planos. A sua mulher e filho (interpretado por Dashiell Howell filho de C. Thomas Howell na vida real) partem para Washington enquanto ele fica a investigar o que se passou. De seguida George vai deparar-se com uma luta pela sobrevivência e para tentar encontrar a sua família. Pelo caminho depara-se com cidades destruídas, pessoas desesperadas e um grupo de pessoas que o vão fazer repensar na vida: um soldado que anda perdido e não sabe o que fazer, um outro grupo de soldados que pensa que vai ganhar a guerra, um padre que perdeu a fé, o irmão que é um antigo Ranger, etc. Todas estas personagens têm uma história e todas elas questionam o que se passa e qual o sentido de tudo aquilo: o sentido da vida. Mas todas estas questões são postas de uma forma lamechas e sem sentido nenhum.

O realizador (David Michael Latt) não é nenhum novato em matéria de filmes de "boa" qualidade, tanto a realizar com a produzir. Já ganhou diversos prémios em festivais de filmes de série B e já esteve nomeado para melhor filme no Fantasporto com o filme Killers.

Este filme é um projecto pessoal uma vez que realiza, escreve, produz e ainda tem tempo de ser o editor do filme. O resultado não é agradável para o espectador, mas após analisar a sua filmografia o resultado final do filme deve ter sido do agrado de David Michael Latt.

Os aspectos “bons” do filme não são muitos, mas os que existem são de “qualidade”. Em relação aos extraterrestres estes possuem uns 10 metros de altura, lançam ácido pela boca e os efeitos especiais que os geraram parecem saídos de filmes dos anos 50, mais propriamente de filmes como Tarântula, Marabunta e afins. A cena da morte do irmão da personagem principal é “maravilhosa”, uma vez que ele é cortado ao meio e ainda consegue ter uma conversa de uns 3 ou 4 minutos. O aparecimento do padre é imperdivel.

Mais Bons Momentos de Cinema:

  • A cena em que o soldado vê a única fotografia que George tinha e pergunta se era a sua mulher e um dia mais tarde pergunta se ele tem filhos e George mostra-lhe a mesma fotografia onde está a mulher e o filho.
  • Para mim, a melhor cena: quando George e o padre estão a comer bagas num descampado e de repente está um extraterrestre por cima deles, vindo não se sabe de onde nem como.
  • Por fim resta afirmar que de forma geral todas as cenas são absurdas, mas, a partir do momento em que George e o padre ficam presos numa casa o filme passa a ser completamente surreal e não se percebe nada do que se está a passar.
Ficha técnica
Nome: H.G. Wells: war of the worlds
Ano: 2005
Realização: David Michael Latt
Duração: 93 minutos

Terça-feira, Maio 16, 2006

Frog-g-g


É complicado classificar um filme como Frog-g-g. À primeira vista parece ser apenas um filme mau, um filme de série B quase quase a roçar o rídículo de ser classificado como série Z. Mas quando o começamos a ver apercebemo-nos rapidamente que o problema não está no filme em si, mas nas pessoas que o visionam.
E não, não vou dizer que as pessoas não percebem a enorme obra de arte que se lhes depara quando aparece no ecrã um homem de metro e meio, vestido com uma máscara de sapo, aos saltos em cima de uma gaja a quem eu não tocava nem que me pagassem. Digo é que quem vota no IMDB para que este filme tenha 3.8 de média não deve ter percebido que Frog-g-g é um filme de homenagem aos filmes de horror das décadas de 70 e 80.

Frog-g-g não quer ser bom. Frog-g-g quer ser mau. E consegue-o. Com grandeza!
As actuações são deprimentes, no bom sentido. Kristy Russel no papel da Drª. lésbica consegue uma actuação que sem nunca ser muito má, é má o suficiente para que se fique sempre naquele limbo do "mas esta gaja está a fazer de propósito?".

E sim, disse Drª lésbica... mantém com Ariadne Shaffer uma relação que não aquece nem arrefece. Duas ou três cenas de topless, uma cena de cama, curta e insossa. O fim, esse sim, contém uma cena simplesmente genial em que Kristy enfrenta o sapo mutante, ajoelhando-se em frente a ele, rasgando a camisa e mostrando-lhe a farta prateleira insinuando "É isto que queres?". Pareceu-me ser a forma mais inteligente de lidar com a situação e por isso dou-lhe crédito.

Há ainda um grande, grande actor que entra em 3 ou 4 cenas durante todo o filme, e que faz o papel de empregado da empresa de produtos tóxicos. O talento daquele homem é algo de transcendente. Aliás, diria mesmo que provavelmente o foram recrutar a alguma empresa onde ele desempenhava a função de transportar e despejar resíduos tóxicos com as suas próprias mãos, de forma a dar mais realismo ao personagem.

Na história há ainda o Sheriff, o irmão dele que é o dono da fábrica que deita os detritos tóxicos no rio e que consequentemente causa o aparecimento do cocas de metro e meio, e ainda a filha do dono da fábrica que é violada pelo referido mutante.

E a cena de violação é das cenas mais extraordinárias a que tive oportunidade de assistir nos meus 25 anos de vida. Está a moça descansadinha da vida, deitadinha na cama com o namorado em posição de missionário, a queixar-se que este não estava a fazer o que tinha a fazer com a destreza necessária, quando decide fechar os olhos e virar a cabeça para o lado. Nesse preciso momento, o batráquio aparece por detrás do desgraçado que estava a fazer o favor de fazer crer à rapariga que há alguma alma neste mundo capaz de lhe tocar, e num ápice coloca-o fora de combate e salta para cima da cama. Nos primeiros 20 segundos a tipa nem nota... sapo ou não, o que lhe interessava era que a coisa estava a começar a correr melhor. Só quando ouviu repetidamente aquele barulho tão típico dos sapos quando se aprestam para ter um orgasmo é que teve a noção de que em cima dela estava um animal cujos dedos das mãos estão unidos por uma membrana.
O filme prossegue com a descoberta da gravidez da violada e a caça ao sapo.








Nessa caça há ainda tempo para assistir a situações simplesmente geniais como a do traçar do caminho percorrido pelo sapo num mapa... podem ver aqui:
Mas alguém me pode explicar porque raio é que o tipo tem a régua na mão se traça a linha toda torta 5 cm's acima dela? É destes pequenos pormenores que se faz a beleza do filme.

Já perto do fim da perseguição, mais uma cena de violação de uma cheerleader (esta sim, já apresentável e prova de que o sapo até tinha bom gosto. A primeira é que foi mesmo por necessidade e não devia haver nada melhor à mão de semear), a morte do Sheriff, o drama das lésbicas, a cena do espancamento que o sapo dá a duas equipas de futebol americano em pleno relvado, etc etc... o normal, portanto, no quotidiano de qualquer vilarejo americano que possua um rio para o qual são descarregados diariamente alguns bidões de uma pasta verde fluorescente que viajava com aquele rótulo amarelo e preto que se costuma ver quando aparecem fotografias de contentores de urânio empobrecido.

Não me querendo alongar mais na dissecação (até porque os sapos costumam ter traumas com essa palavra) digo-vos apenas que se algum dia tiverem a felicidade de ver este filme, não percam de forma alguma os créditos finais e a dança do batráquio para a câmara. É que não percam mesmo. Eu voltei a ver os últimos 3 minutos de película porque não queria acreditar no que estava a assistir.

E como Frog-g-g é um filme diferente, um filme homenagem aos filmes de horror da mais pura época de série B hollywoodesca, não deixo aqui o melhor e o pior do filme.
Deixo apenas a ficha do filme e uma última referência que valida a minha opinião sobre a obra... ora vejam lá se descobrem.


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Nome: Frog-g-g
Ano: 2004
Realização: Cody Jarrett
Duração: 80 minutos
Awards: Grand Jury Prize do New York International Independent Film & Video Festival

Novidades

  1. Temos um novo colaborador no blog. Já andava-mos a falar disto há uns tempos e já estava decidido há bastante que o João ía entrar na festa... até porque o tempo escasseia para estes lados e pelas bandas dele nem por isso. Ele é gajo de trazer umas coisas jeitosas para este lado... ainda há momentos me falou em nomes como "Balística" ou "Steal". Promete...

  2. Novos links ali de lado. Pepsi e Pipocas e Cinema Xunga. Não me alongo a tecer considerações sobre os blogs em questão. Se os temos ali de lado, por algum motivo é. Cliquem (os que ainda não conhecem) que vale a pena. Do Pepsi e Pipocas espero em breve poder colocar aqui um excerto de um post do blog que vale a pena lêr, especialmente quem gostar de "bom" cinema como o que tentamos mostrar aqui.

Terça-feira, Maio 02, 2006

Mansquito - Confissões de um mosquito gigante


...É importante referir que durante a elaboração deste texto não foram usados utensílios de cozinha para fazer lobotomias a certas e determinadas pessoas às quais uma lobotomia poderia efectivamente melhorar a qualidade de vida...

Eu sei que já estou um bocado atrasado em publicar esta crítica mas não tive muito tempo ultimamente, entre ver mais filmes à cerca dos quais tenho de publicar críticas e fazer pesquisas de filmes sobre os quais devo escrever não me foi possível escrever esta crítica mais cedo...

Tive recentemente, devido ao meu dever de escrever neste blog, a oportunidade de rever um filme que me marcou muito Mansquito, de Tibor Takács. De todos os filmes que já, para o bem deste blog, tive o prazes de visionar, Mansquito foi aquele que, para mim, é o filme menos merecedor da pontuação que lhe foi dada no IMDB. Geralmente esta base de dados está relativamente correcta na classificação que dão aos filmes mas aqui erraram completamente. Mansquito é daqueles filmes que eu conseguia ver vezes sem conta e gostar do filme. Mansquito é o meu Casablanca dos Filmes de Culto.

O número de mortos durante o filme é muito acima dos standarts de filmes deste género, a quantidade de sangue também. A história parece bastante rísivel mas no entanto funciona de uma maneira tão boa. A sua simplicidade é um dos seus pontos fortes. E os actores? Bem, eu era grande fã do Parker Lewis Can't Lose, ainda hoje, quando posso vejo alguns episódios na Sic Radical, por isso mesmo gosto do filme. Corin Nemec é a personagem principal do filme e faz um trabalho relativamente bom, bastante melhor do que o trabalho que fez quando, durante uma época teve o impossível trabalho de substítuir uma das personagens principais de Stargate: SG-1. Musetta Vander tem outro dos papeís principais do filme e também faz um trabalho bastante melhor do que fez como rainha Sindel em Mortal Kombat 2: Annihilation.

O argumento:

Um laboratório está a tentar desenvolver um tipo de mosquitos que não sejam portadores de uma doença que está a assolar a nação de maneira a que, procriando com outros mosquito que sejam portadores, tenham crias não portadoras (parte desta técnica já foi usada para combater pragas de insectos). Um chefe sem escrúpulos do laboratório decide testar em humanos e portanto usa como cobaia um assassino em série. Durante o processo de transferência para o laboratório o prisoneiro escapa e devido a um acidente é picado por insectos que estiveram expostos a radiação. Passado algum tempo transforma-se num mosquito gigante que tem um apetite insasiável por sangue....
A partir daqui o filme torna-se num festival de sangue, mortes, desmembramentos e na tentativa desesperada de um detective destruir uma ameaça para toda a humanidade e ainda conseguir salvar a mulher que ama...

O grande mansquito

Mais uma vítimaVim para te comer!

A não perder:

1 - Toda a interpretação do antigo Parker Lewis
2 - O mansquito
3 - A amada do heroí.
4 - O número de mortos(eu contei 55 mortos depois da transformação)
5 - A grande frase: "Hey, Mansquito!"
6 - O mansquito é impermeável a balas.
7 - A chacina da equipa da S.W.A.T.
8 - A explosão de 7 botijas de gás junto ao mansquito não lhe faz qualquer mossa.
9 - O herói anda à herói, ou seja, sem apoio nenhum, quase sem armas e capaz de sobreviver a 3 encontros como mansquito.
10 - A morte do Mansquito

Conclusão:

Este filme é absolutamente fantástico, de certa maneira é tão bom que nem devia estar aqui. Palavras para quê? Eu adoro este filme e acho essencial que toda a gente o veja também para saberem que por vezes, muito raramente, filmes de série B com o apoio do Sci-Fi Channel até se transformam em agradáveis surpresas, tal e qual foi este Mansquito.

Ficha Técnica:

Título: "Mansquito"
Ano: 2005
Realizado por: Tibor Takács
Duração: 92 minutos
IMDB

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